Bandeira do Brasil

 A bandeira do Brasil

        (por Beto Gonçalves, com pitacos da IA). 

A interpretação das formas e cores da bandeira brasileira ensinada de maneira simplista é errônea e inconsequente. A bandeira atual foi inspirada na Bandeira do Império, que foi desenhada pelo pintor francês Jean Baptiste Debret em 1822. As cores verde e amarelo foram mantidas, mas o brasão imperial foi substituído pela esfera azul com as estrelas e a faixa branca. As cores verde e amarelo, na verdade, não representam “as matas”, nem “o ouro”. Representam as casas reais de Portugal e da Áustria.  O verde representa a Casa de Bragança, dinastia de Dom Pedro I, o primeiro imperador do Brasil. O amarelo simboliza a Casa de Habsburgo, da imperatriz austríaca Dona Leopoldina, esposa de Dom Pedro I.

A bandeira atual do Brasil, criada em 19 de novembro de 1889, logo após a Proclamação da República, teve a participação de diversos indivíduos em sua concepção:

  • Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos, filósofos positivistas, foram os idealizadores do projeto e do lema "Ordem e Progresso".
  • O artista e caricaturista Décio Vilares foi o responsável pelo desenho da bandeira.
  • O astrônomo Manuel Pereira Reis determinou a posição das estrelas, que representam o céu do Rio de Janeiro no dia 15 de novembro de 1889, data do golpe militar que derrubou a Monarquia e proclamou a República.

A esfera azul da bandeira imperial e mantida na bandeira atual é uma referência à “esfera armilar”: um instrumento científico que representa a esfera celeste, um modelo esférico que representa o céu e seus elementos. É composta por anéis que representam linhas de longitude e latitude celestes, além de outras características astronómicas. A esfera armilar foi utilizada para navegação e para representar o conhecimento astronómico, especialmente durante a Era dos Descobrimentos, e é um símbolo português, presente na bandeira do Brasil.  A esfera azul na bandeira atual representa o céu do Rio de Janeiro, então capital do império, na noite do golpe militar que derrubou a Monarquia e proclamou a República em 15 de novembro 1889. Isso mesmo; a bandeira brasileira mostra um pedaço da configuração do céu com as constelações presentes naquela data. A estrela que representa o estado do Espírito Santo é a estrela Épsilon do Cruzeiro do Sul (Crux), também conhecida como Épsilon Crucis. Essa estrela pequena faz parte da constelação do Cruzeiro do Sul, uma das mais importantes e reconhecidas no céu do hemisfério sul.

A Épsilon Crucis, também conhecida como Ginan, aparece junto com as que representam a Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. É “a estrela intrometida” porque sua posição no céu, próximo às quatro estrelas principais que formam o desenho da cruz do Cruzeiro do Sul, parece "atrapalhar" ou "quebrar a simetria" da figura. A disposição das estrelas na bandeira é atualizada de acordo com a criação ou extinção de estados, sendo a última modificação em 1992.

 No hino do Estado do Espírito Santo os autores (Arthur Napoleão e Peçanha Póvoa), provavelmente numa licença poética, trocaram as bolas para “Estrela Prometida”: “Surge ao longe a estrela prometida...”. Aliás, os dez primeiros toques do hino são tocados a cada hora pelo relógio da Praça Oito de Setembro, no centro da Capital Vitória. A intrometida foi promovida!

Embora não seja uma das quatro estrelas mais brilhantes que compõem a cruz propriamente dita (Acrux, Mimosa, Gacrux e Pálida), a Intrometida é facilmente visível a olho nu e é crucial para identificar corretamente o Cruzeiro do Sul. Existem outros agrupamentos de estrelas que podem se assemelhar a uma cruz no céu (como o Falso Cruzeiro), mas a presença da Épsilon Crucis ajuda a distinguir o Cruzeiro do Sul verdadeiro.  Épsilon Crucis é a quinta estrela mais brilhante da constelação do Cruzeiro do Sul, e sua denominação "Épsilon" é a quinta letra do alfabeto grego, ordem que a relaciona às outras estrelas maiores da constelação (uma comparação ao tamanho territorial dos outros estados).

O lema "Ordem e Progresso" na bandeira do Brasil tem origem no movimento filosófico conhecido como Positivismo, fundado pelo filósofo francês Auguste Comte no século XIX. O lema completo de Comte era "O Amor por princípio, a Ordem por base, o Progresso por fim," que sintetiza os ideais de progresso social e organização. Esses ideais influenciaram os líderes republicanos do Brasil na época da Proclamação da República, em 1889. Eles adotaram o lema para simbolizar os objetivos de construir uma nova nação com base na ordem, estabilidade e progresso contínuo.

O lema da bandeira do Estado do Espírito Santo, "Trabalha e Confia", tem origem na doutrina de Santo Inácio de Loyola, o fundador da ordem religiosa Companhia de Jesus (Jesuítas). A frase completa que inspirou o lema é: "Trabalha como se tudo dependesse de ti e confia como se tudo dependesse de Deus." A bandeira, com esse lema e suas cores (azul, branco e rosa), foi criada em 1908 por  Jerônimo Monteiro, então presidente do estado. No entanto, ela só foi adotada oficialmente em 24 de abril de 1947. A escolha do lema reflete a forte ligação histórica do Espírito Santo com a fé cristã católica e os valores de esforço, dedicação e confiança em um poder superior. Esse lema é um elemento diferencial – há semelhanças entre a bandeira do Espírito Santo com as bandeiras da Holanda, de Luxemburgo e da França.

 

 

 

                        

 

 

 

 

 

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